Foto por Divulgação/EMI
Entre 1961 e 1971, Wilson Simonal construiu uma das mais bem-sucedidas carreiras musicais daquele período. Mas, a partir do momento em que foi acusado de colaborar com a ditadura militar, isso mudou do vinho para a água.
Quando morreu, no dia 25 de junho de 2000, o cantor carioca estava no mais absoluto ostracismo. O valor de sua obra musical não era levado em conta. Ninguém mais ouvia as suas músicas. Foi preciso um documentário para mudar o rumo das coisas.
Em 2009, chegou às telas brasileiras Ninguém Sabe o Duro Que Dei, com direção de Cláudio Manoel (do Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal. O filme serviu como a oportunidade de mostrar, sem retoques, quem foi Wilson Simonal.
O lado negativo não ficou de fora, com enfoque em sua personalidade polêmica e no caso da agressão em 1971 a seu contador, Raphael Viviani, que desencadeou a declaração do cantor de que seria uma espécie de colaborador da ditadura.
Esse fato nunca foi comprovado, no decorrer dos anos. O filme deixa claro que, na verdade, Simonal quis mostrar de forma ingênua uma ligação com o governo militar como forma de se livrar da confusão com Viviani. O resultado não poderia ter sido pior.
Wilson Simonal morreu amargurado, aos 62 anos, mas deixou dois filhos de grande talento, Wilson Simoninha e Max de Castro. Os dois, que colaboraram ativamente com o documentário, também organizaram o CD/DVD O Baile do Simonal.
FONTE: R7
Gravado ao vivo no Rio de Janeiro em agosto, o show em tributo ao músico trouxe convidados do primeiro time da MPB. Entre outros, Caetano Veloso, Maria Rita, Marcelo D2, Samuel Rosa, Rogério Flausino, Orquestra Imperial, Paralamas e Sandra de Sá.
O clima dançante e alto astral de releitura dos grandes sucessos de Wilson Simonal predomina do início ao fim, em uma celebração comandada pelos irmãos com muita categoria. Se vivo, Simona (como era chamado pelos amigos, na época) certamente aprovaria a homenagem.
De quebra, chegaram às lojas no finalzinho do ano o DVD de Ninguém Sabe o Duro Que Dei (incluindo extras não exibidos no filme) e a primeira biografia do artista, Nem Vem Que Não Tem- A Vida e o Veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre.
Ou seja, felizmente a importante e consistente herança musical de Wilson Simonal saiu do limbo e voltou às lojas de discos e aos ouvidos dos brasileiros em 2009. De onde, tomara, nunca mais sairá.